





Pesquisa da Deloitte mostra que gestores insatisfeitos com contratos de terceirização citam altos custos, comunicação ruim
Embora muitos executivos estejam satisfeitos com a redução de custo proveniente de contratos de terceirização, a maioria deles diz que o relacionamento estabelecido neste tipo de trabalho não resultam em transformação ou inovação para o negócio. A conclusão é de estudo da consultoria Deloitte.
A pesquisa, com 300 executivos de TI e de negócios envolvidos em contratos de outsourcing, mostra que 70% deles estão satisfeitos com o relacionamento, e 83% avaliam que os projetos atingiram os objetivos de retorno sobre investimento (ROI, da sigla em inglês). Mas apenas um em cada três entrevistados disse que observou benefícios importantes em termos de idéias inovadoras ou transformação das operações.
Outra conclusão é que, com freqüência, as empresas sofrem relacionamentos negativos de terceirização, antes de encontrar o negócio certo. 39% dos entrevistados disseram que encerraram pelo menos um contrato e o transferiram para um fornecedor diferente.
Entre os que manifestaram insatisfação com um projeto de terceirização muito grande, metade deles levaram o trabalho “de volta para casa”. Quase dois de cada três executivos insatisfeitos com contratos grandes disse que os problemas chegaram ao gerenciamento sênior ainda no primeiro ano, com metade deles ainda precisando do envolvimento deste nível no segundo ano.
Além disso, mas de um em cada três executivos disse que desejava mais tempo de sua companhia para avaliar e selecionar o fornecedor do projeto terceirizado. Metade dos entrevistados disse que se pudesse voltar atrás e fazer algo diferente, definiriam níveis de serviços melhor alinhados com os objetivos de negócio da empresa já no começo do projeto. Entre os que se disseram insatisfeitos com as relações de terceirização, muitos apontaram razões como subestimar o escopo do projeto, custo mais alto do que esperado, qualidade ruim da comunicação, serviço e relatório por parte dos fornecedores.
A Deloitte concluiu que as companhias consultadas reconhecem que deveriam receber mais do que apenas benefícios financeiros da terceirização, além de recebe-los com menos esforços e conflitos. Assim, o resultado do outsourcing que foca em redução de custos em vez de transforção, eficiência e produtividade pode acabar sendo “oportunidades perdidas”.
O outro lado da moeda
A Deloitte também entrevistou 31 executivos de fornecedores de outsourcing, que sugeriram que as companhias não conseguiram medir todos os benefícios do serviço. Os provedores disseram que os clientes são geralmente despreparados, não possuem um plano sólido de terceirização, e não têm os dados operacionais necessários para tomar as decisões corretas quanto ao outsourcing. A Deloitte conclui que as companhias que utilizam o outsourcing estrategicamente e o implementam sistematicamente podem ganhar competitividade sobre as que “permanecem com um pensamento tradicional de compras”.
Veículo: FINANCIAL WEB
Data: 19/02/08
Endereço: http://www.financialweb.com.br/noticias/index.asp?cod=45640
31/01/2008 13:21Três companhias brasileiras fazem parte do Ranking Mundial das Cem Melhores Empresas Provedoras de Serviços de Tecnologia de Informação e Outsourcing, da revista Global Services. Duas delas, a CPM Braxis e a DBA Engenharia de Sistemas, já figuram na lista desde 2006. Já a Politec, que também consta entre as eleitas deste ano, está no rol desde 2007.
Os Estados Unidos lideram o ranking, com 43 empresas. Já a Índia tem 29 companhias inclusas, ficando em como o país emergente que mais sedia líderes nos setores de TI e outsourcing em todo o mundo, informa a BBC Brasil.
Ainda conforme a lista da Global Services, as empresas indianas tiram entre dois terços e três quartos de seus lucros da economia americana. Já Argentina, Canadá, México, Filipinas, Cingapura e Reino Unido aparecem no ranking com duas companhias cada. A República Tcheca, França e Ucrânia têm apenas uma corporação listada.
O ranking detalhado será divulgado mundialmente no mês que vem.- Revista Global Services
Quem assume o posto é Jorge Penteado, que possui 30 anos de experiência na indústria de tecnologia, com passagens por empresas como Volkswagen, Telesp/Telebras e Bull.
Por Redação do COMPUTERWORLD20 de fevereiro de 2008 – 15h15
Jorge Penteado, 54 anos, é o novo diretor comercial nas áreas de telecomunicações e governo da Tata Consultancy Services do Brasil (TCS), empresa indiana especializada na prestação de serviços e desenvolvimento de sofware.
Formado em engenharia eletrônica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), com pós-graduação pela Fundação Getúlio Vargas e mestrado em Eletrônica Digital e Robótica pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), Jorge traz à companhia indiana sua experiência de mais de 30 anos adquirida no mercado de tecnologia.
A carreira do executivo inclui passagens de destaque pela Volkswagen, Telesp/Telebrás e Bull, onde atuou como diretor comercial e de marketing por 16 anos. Seu objetivo à frente da área comercial é ampliar e consolidar a participação da TCS nas verticais de negócios de telecomunicações e governo.
No começo deste mês, a empresa anunciou outras mudanças. Gabriel Rozman, que liderou as operações da TCS na América Latina, Espanha e Portugal nos últimos cinco anos, foi nomeado como vice-presidente executivo para mercados emergentes.
por Reseller Web
Para este ano, a meta é atingir os R$ 200 milhões em 2008 e a intenção é manter o foco na exportação de serviços de desenvolvimento de software, que deve chegar a faturar US$ 20 milhões, com ganho de cinco clientes à base.
Estudo aponta que o Knowledge Process Outsourcing surge como opção preferencial do modelo, particularmente no setor financeiro
Por Sandra Rossi, Computerworld Austrália 15 de fevereiro de 2008 – 12h15
Um novo estudo divulgado pela KPMG International aponta que o KPO (Knowledge Process Outsourcing) será o próximo hit na área de terceirização, particularmente junto ao setor financeiro. O estudo diz que esta modalidade de serviço deve chegar ao ano de 201º movimentando algo em torno de US$ 5 bilhões.
Bob Hayward, diretor de consultoria da KPMG, afirma que o KPO é visto como a terceira geração na evolução do outsourcing e envolve a terceirização de processos mais especializados, baseados mais em parâmetros intelectuais do que na potencial redução de custos. No setor financeiro, o KPO vem sendo utilizado, entre outras áreas, em scoring de crédito, cálculo de proteção de perdas e análise de fraudes. O estudo da KPMG apontou que o, mundialmente, o setor de KPO deve movimentar entre US$ 10 bilhões e US$ 17 bilhões nos próximos dois anos.
Para explicar melhor do que se trata, Hayward cita o exemplo hipotético de uma empresa de Wall Street que enfrentou um gasto de US$ 250 mil para cobrir uma ação específica, quando o máximo que poderia esperar em ganhos seria de US$ 200 mil. Por outro lado, se esta companhia tivesse terceirizado a análise para um provedor de KPO a um custo de US$ 100 mil, a operação teria sido rentável.
“Um dos aspectos mais surpreendentes do KPO é que ele é focado em aspectos muito específicos, que tradicionalmente eram considerados parte do diferencial competitivo da companhia ou de suas atividades principais. O KPO marca a evolução do setor de terceirização, movendo-se da periferia das corporações para seu coração”, diz Hayward.
O estudo diz que a modalidade deve passar por um processo de amadurecimento mas, quando estiver consolidada, a Índia deve despontar como provedor global. “A Índia é a força dominante nesta área e países como Canadá, Austrália, Singapura, África do Sul e o Reino Unido devem disputar parte deste mercado”, prevê o diretor.
Outra pesquisa, realizada pela GlobalSourcingNow, também identifica a Índia como líder em serviços de KPO. O estudo diz que o mito de que companhias indianas só podem fornecer desenvolvimento de software está mudando e prevê que até 2010, o mercado de KPO na Índia deve movimentar cerca de US$ 12 bilhões e empregar cerca de 250 mil profissionais. O estudo prevê ainda a participação de países como Rússia, China, Canadá, República Tcheca, Irlanda e Israel neste mercado.
Por Camila Fusco
EXAME Poucos países mudaram tanto de perfil em um curto espaço de tempo como a Índia. De uma economia altamente centralizada pelo Estado e com pouco espaço para a iniciativa privada até o início da década de 90, a Índia converteu-se na maior potência mundial exportadora de software e serviços de informação. Incentivos governamentais para a liberalização econômica, a reformulação no regime tributário e a inclusão da tecnologia da informação como política pública levaram o país a atingir taxas médias de crescimento de 8,5% ao ano e a movimentar 30,3 bilhões de dólares no segmento em 2007. Mas a terra promissora do outsourcing mostra os primeiros sinais de fadiga aos olhos mundiais. Os fatores que levavam a Índia a ser destino praticamente certo dessas contratações, como mão-de-obra de baixo custo, abundância de profissionais qualificados e fluentes em inglês, já não são atraentes o suficiente para superar problemas históricos cada vez mais evidentes. A crescente instabilidade política no vizinho e rival Paquistão aumenta a insegurança de empresas que têm muitos de seus sistemas críticos rodando na Índia. Outro ponto de interrogação são os possíveis gargalos de energia, infra-estrutura e pessoal — o volume de profissionais qualificados não conseguiu suprir a demanda, e a busca por talentos desencadeou um verdadeiro leilão por mão-de-obra qualificada. Isso significa salários mais altos e taxa média de rotatividade de 50% ao ano, cenário impensável para quem busca qualidade nos projetos.Problema para uns, solução para outros. De olho nas migalhas que podem sobrar de um mercado mundialmente avaliado em mais de 70 bilhões de dólares, vários países têm se movimentado para desfilar suas qualidades, entre eles China, Rússia, Filipinas, Argentina, México e, sobretudo, o Brasil, que agora está diante de uma das maiores oportunidades da história do setor de serviços de tecnologia da informação. Dona de um faturamento de mais de 170 bilhões de dólares, a General Electric está à procura de um destino alternativo à Índia. Os contratos de terceirização da GE no país são avaliados em 700 milhões de dólares. A maior parte está com empresas indianas, mas o diretor de tecnologia da empresa, Gary Reiner, disse a EXAME que a expectativa é trazer para cá 100 milhões de dólares ao longo de três anos em serviços de programação em software. Isso, é claro, se as empresas brasileiras de serviços conseguirem superar alguns desafios que ainda detêm o desenvolvimento do setor, como os custos com mão-de-obra, especialmente os trabalhistas. Estima-se que hoje a hora de trabalho de um programador brasileiro custe de 15% a 25% mais do que a de um indiano. “Gostamos do que vimos no Brasil: excelente qualidade dos serviços, boa gestão das empresas e um índice de rotatividade bem mais aceitável do que na Índia, em torno de 10% a 15%”, diz Reiner, que esteve no Brasil no final de janeiro. Ele ficou especialmente impressionado com o que viu no Bradesco, que tem um dos maiores projetos do país em tecnologia feita por parceiros terceirizados brasileiros. Três empresas nacionais já estão em contato para tentar ficar com parte das verbas da GE: CPM Braxis, BRQ e Stefanini. Para levar os contratos, terão de vencer concorrentes da China, da Europa Oriental e dos vizinhos Argentina, Chile e México.Em busca de novas opçõesMuitas empresas ocidentais querem reduzir
a dependência dos serviços de tecnologia
da informação da Índia.Veja por quê
CUSTOS
A valorização da rúpia sobre o dólar e a inflação de 7,5% ao ano fazem com que os serviços e os softwares desenvolvidos na Índia fiquem mais caros, assim como a mão-de-obra
ROTATIVIDADE
Com muitas ofertas, funcionários indianos tendem a trocar com freqüência de emprego — a taxa média, de rotação é de 50% ao ano —, o que compromete a qualidade do serviço
TENSÃO REGIONAL
A disputa com o Paquistão pela Caxemira põe
em xeque a estabilidade do país. Empresas globais, com grande dependência tecnológica, temem pela segurança das instalações
ENERGIA
O crescimento expressivo das cidades e da
população coloca em questão o fato de a Índia
conseguir suprir as demandas energéticas nos
próximos anos de maneira eficaz
O Brasil movimenta hoje cerca de 800 milhões de dólares em exportação de software. O dado é aproximado, pois muitas multinacionais instaladas no país não revelam seus números locais. Uma das que mais vêm crescendo é a IBM. Seu centro em Hortolândia, no interior de São Paulo, foi inaugurado em 2005 e consumiu 20 milhões de dólares em investimentos. Nesse curto período, já se firmou como um dos principais centros mundiais da empresa para a prestação de serviços. Nos últimos três anos, a IBM contratou cerca de 90 000 pessoas em países em desenvolvimento, criando uma rede global de prestação de serviços. Quando um cliente de grande porte procura a Big Blue para terceirizar a administração de seus servidores, por exemplo, a carga de trabalho é dividida entre vários países, de acordo com a especialidade e os custos de cada um. A Índia ainda tem o maior contingente de funcionários — 75 000 no total — e fica com a maioria dos contratos de desenvolvimento de software. Mas a filial brasileira, cuja especialidade são os computadores de grande porte e suas linguagens de programação, tem crescido em importância. Dos 7 200 funcionários instalados em Hortolândia, mais de 1 300 são dedicados exclusivamente a operações internacionais.
CERCA DE 60 CLIENTES têm parte de seus sistemas de tecnologia rodando no interior paulista. A anglo-holandesa Unilever buscou a IBM para integrar e padronizar os sistemas de compras na América Latina, e todo o trabalho é centralizado em Hortolândia. Outras companhias de atuação internacional, como Gap, Whirlpool, Inbev e Nestlé, também usam serviços gerenciados na central da IBM no Brasil, e há pelo menos outras 12 empresas internacionais de grande porte estudando migrar seus contratos para o país. “Hoje, existem dois grandes entraves para que a operação de outsourcing cresça ainda mais”, diz Marcelo Villar, gerente de serviços de aplicações da IBM. O primeiro é a falta de mão-de-obra. E o segundo, naturalmente, é a carga tributária.É aí que entra o trabalho da Associação Brasileira das Empresas de Software e Serviços para Exportação (Brasscom), uma entidade literalmente copiada da indiana Nasscom, que congrega o setor exportador daquele país. No fim do ano passado, a Brasscom apresentou um projeto que prevê redução do percentual do INSS, mas até agora não houve nenhum tipo de movimentação por parte do governo em aceitá-la. “Nunca imaginei que torceria pela CPMF”, diz Antonio Gil, presidente da Brasscom. Na opinião de Gil, o fim do imposto diminui as chances de o setor ter suas demandas atendidas. Outra prioridade de Gil é conseguir convencer os grandes compradores estrangeiros de que o Brasil pode ser uma alternativa à Índia. Entre os argumentos estão o vigoroso mercado interno — avaliado em mais de 9 bilhões de dólares –, o fuso horário favorável, a segurança e a estabilidade política.Enquanto os incentivos governamentais não vêm e os esforços de marketing não decolam, as empresas brasileiras de serviços tentam ganhar musculatura para concorrer aos contratos internacionais. A abertura de capital é uma das formas, já que dá poder de fogo para crescimento e transmite maior credibilidade ao investidor por causa dos requisitos de governança corporativa. A lista de potenciais IPOs neste ano no segmento inclui Stefanini, CPM Braxis, Politec, Tivit e BRQ. “O Brasil precisa de empresas grandes para ser competitivo no exterior. A abertura de capital traz fatores que favorecem esse crescimento”, afirma Benjamin Quadros, presidente da BRQ, que em 2007 exportou 15 milhões de dólares e faturou cerca de 85 milhões de dólares. Outra forma de desenvolvimento que está nos planos da companhia são as aquisições — três estão previstas até o final de fevereiro, duas no Brasil e uma nos Estados Unidos. “O mercado mundial de serviços de TI vive um momento de diversificação e, embora a Índia ainda deva perdurar como líder por anos, existe uma janela de oportunidade expressiva a ser aproveitada”, diz Francisco Ribeiro, diretor de centros globais da Accenture. Segundo a consultoria Gartner, em 2008, 30 países estarão bem capacitados para exportar serviços de tecnologia. Resta saber qual deles terá mais agilidade para aproveitar a oportunidade.
No Brasil, sobram por ano 40 mil vagas na área de tecnologia da informação, reflexo da escassez de mão-de-obra especializada para atender a demanda do setor. Para minimizar o problema, algumas empresas estão investindo na capacitação de profissionais. É o caso da Altran. A consultoria francesa está investindo R$ 800 mil na criação de um instituto de formação no país, o primeiro fora da Europa. Serão oferecidos cursos com foco em gestão de projetos, SOA (Services Oriented Architecture) e BPM (Business Process Modeling), todos abertos ao público. “Estamos de olho na carência de talentos no mercado e não apenas da própria empresa”, explica Armando Masini, diretor de operações da Altran do Brasil. Em parceria com o Instituto Europeu do grupo Altran, as operações no Brasil estão também registradas no PMI (Project Management Institute), entidade que certifica profissionais ligados a gestão de projetos. Cerca de 30 pessoas já foram contratadas e estão sendo treinadas pela Altran. De acordo com Masini, o objetivo é estender a atuação do instituto para toda a América Latina, embora a grande área de concentração seja o Brasil. “Isso porque freqüentemente exportamos profissionais brasileiros para a Europa”, afirma. Já a BRQ, empresa brasileira que atua no mercado de desenvolvimento de software, resolveu investir em ações que suportem o crescimento da companhia. Para os próximos dois anos está prevista a abertura de centros de desenvolvimentos fora do eixo Rio-São Paulo e a contratação de novos profissionais. A meta é inaugurar pelo menos quatro centros até 2009, sendo o primeiro em Curitiba. “A empresa destinará R$ 9 milhões ao projeto, que deve ter 700 funcionários em cada centro de produção”, diz Simone Andrade Guarischi, diretora de recursos humanos da companhia. Desse total, cerca de R$ 3 milhões irão para o departamento de RH, que está se reestruturando. O foco da BRQ será nas políticas de atração e retenção de talentos, programas de capacitação e estágios. “Contratamos um gestor só para para cuidar da área de treinamento e desenvolvimento”, diz Simone. A BRQ conta hoje com dois mil profissionais e pretende chegar a 12 mil em 2012. Número que visa apoiar a estratégia de internacionalização da desenvolvedora de software. Fora do Brasil, a empresa mantém um escritório em Nova York e possui planos ambiciosos para sua operação offshore – oferta de serviços vendidos para múltis em outros países. Cerca de 300 vagas estão em aberto e a maior dificuldade na busca por profissionais, de acordo com Simone, é a barreira do inglês, problema vivido por toda a indústria de TI. Recentemente, a BRQ recebeu um investimento de R$ 56 milhões, sendo um aporte de capital de R$ 50 milhões proveniente da BNDESPar (empresa de participações do BNDES) e R$ 6 milhões de financiamento concedido pelo BNDES no âmbito do Prosoft (Programa de desenvolvimento para a indústria de software do BNDES). Outra iniciativa, bastante agressiva, mostra a disputa que o mercado de TI enfrenta por profissionais preparados. Enquanto a Altran e a BRQ apostam na formação de quem está iniciando carreira para resolver o problema da escassez de profissionais, a MicroStrategy – conhecida por atuar em soluções de business intelligence (BI), – foi além. Quer atrair especialistas de empresas concorrentes que acabam de ser adquiridas, a exemplo da Cognos e Business Objects. A Cognos foi adquirida pela IBM em novembro de 2007, em uma transação de quase US$ 5 bilhões. Enquanto o anúncio de compra da Business Objects pela SAP aconteceu em outubro, por US$ 6,8 bilhões. “Pretendemos contratar profissionais que se sentem ameaçados e não sabem se serão demitidos após o processo de compra ou reaproveitados em outras linhas de produtos”, afirma Flavio Bolieiro, vice-presidente da MicroStrategy para América Latina. “Nossa idéia é aproveitar o período de indefinições, onde o cliente dessas empresas pode ser o maior prejudicado”, diz Bolieiro. Para o executivo, a situação cria a oportunidade para a companhia crescer no médio prazo e driblar a falta de mão-de-obra. A empresa lançou na matriz nos EUA e em mais 17 cidades, incluindo São Paulo, um programa para selecionar talentos. “Estamos abrindo as portas”, revela. No ano passado, a subsidiária contratou 20 novos profissionais e o objetivo é contratar cerca de 15 pessoas em 2008.
Região da Ásia/Pacífico lidera mercado global de terceirização
O crescimento do mercado de outsourcing na região foi duas vezes superior à média mundial em 2007, de acordo com o TPI Index. O faturamento cresceu 13%.
O crescimento do mercado de terceirização de TI na região da Ásia e Pacífico foi duas vezes superior à média mundial em 2007, de acordo com o TPI Index. Embora o número de contratos assinados em 2007 tenha crescido apenas 4% no ano, o valor total desses contratos aumentou 30%, passando de 9,9 bilhões de dólares em 2006, para 12,8 bilhões, em 2007.
De acordo com o índice, o faturamento anual na região teve incremento de 13%, cerca do dobro do índice registrado globalmente.
O valor médio dos contratos de outsourcing na Ásia e Pacífico subiu 25% – de 141 milhões de dólares para 176 milhões de dólares –, devido em boa parte aos mais amplos relacionamento na região, especialmente no último trimestre de 2007.
A região apresentou força nos grandes relacionamentos, com a assinatura de nove contratos deste tipo em 2007, que totalizaram 1,5 bilhão de dólares. Esse número representa nada menos do que 33% de todos os mega relacionamentos em todo o mundo, e contrasta com a fatia de pouco mais de 15% que a região detém do mercado de outsourcing mundial.
Arno Franz, diretor da TPI na região da Ásia Pacífico, afirma que o forte crescimento da tercerização foi conduzido por corporações na Índia e China. “Na região, normalmente vemos a Austrália, Índia e Japão no topo da lista de países que comprar serviços de outsourcing. Em 2007, a Índia liderou o ranking ao praticamente dobrar o valor desse segmento em relação ao ano anterior”, explica Franz.
“Com a crescente concorrência entre as organizações na Índia e o potencial de privatização do setor público nos próximos anos, esse ritmo de crescimento deve continuar em 2008 e nos anos seguintes”, disse.
No final de 2007, cerca de 2,7 mil contratos geraram algo como 80 bilhões de dólares em faturamento para provedores de serviços de outsourcing, representando um crescimento anual de mais de 7%.
Em nível mundial, Franz disse que o quarto trimestre foi o melhor em 11 anos, quando considerado o valor dos contratos. Segundo ele, o crescimento foi motivado especialmente pelos mega contratos avaliados em 100 milhões de dólares ou mais, anualmente.
O índice TPI Index só vem reforçar as descobertas divulgadas pelo Gartner na semana passada. A empresa de pesquisas de mercado previu um crescimento de 8,1% para o mercado mundial de outsourcing em 2008.
Na Austrália, segundo o Gartner, esse mercado deve crescer apenas 4,7%, alcançando 10,9 bilhões de dólares australianos este ano.
Apesar do forte crescimento, Kurt Potter, diretor de pesquisas do Gartner, disse que as estruturas das estratégias de sourcing e governança ainda são imaturas e desalinhadas com os objetivos das companhias.
“Em 2007, as organizações focaram menos no outsourcing por redução de custos do que nos anos anteriores, contratando mais os modelos de entrega global de serviços para conseguir contar com mão-de-obra qualificada a preços justos, esteja ela onde estiver”, diz Potter.
“Em 2008, esperamos ver mais empresas adotando o multisourcing para consolidar seus serviços junto a menos prestadores e assim reduzir seus custos de integração de serviços e ampliar os benefícios do melhor relacionamento com alguns poucos fornecedores estratégicos”, completou.