Seminário Brasil Outsourcing mostra desafios do País de crescer na oferta de outsourcing de TI
Seminário Brasil Outsourcing 2008: oportunidades no mercado internacional
“Este é o momento para o Brasil deslanchar no mercado de offshore outsourcing de TI e BPO.” A declaração de Antonio Carlos Rego Gil, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software e Serviços para Exportação (Brasscom), abriu a quarta edição do Seminário Brasil Outsourcing e Captive Centers, que ocorre nesta terça e quarta-feira (26 e 27 de fevereiro), em São Paulo.
O apelo de Gil urge para a implantação de medidas nacionais que levem o País a um melhor posicionamento no mercado global de offshore outsourcing. Segundo ele, o momento é praticamente de “tudo ou nada”. Isto porque, segundo Gil, estima-se que em 2007 o Brasil gerou US$ 800 milhões em serviços do tipo, uma participação muito modesta em um mercado mundial de US$ 50 bilhões.
“O mercado global cresceu acima do previsto no ano passado, a taxas de 40%. E a Índia domina 70% do total. Para se ter uma comparação, a meta deste país para 2010 é chegar a US$ 70 bilhões, em um cenário global que atingirá US$ 100 bilhões”, detalha, mostrando que mesmo assim há muito espaço para as empresas nacionais.
Apesar dos números impressionantes, Gil observa que a Índia começa a dar sinais de dificuldades, como o custo dos profissionais, altas taxas de turn over e a preocupação dos clientes de concentrar todo o outsourcing em uma mesma fonte. “Não existe CIO no mundo que não esteja buscando alternativas”. E elas são três: China, Rússia/Leste Europeu e América Latina/ Brasil. É onde está a oportunidade.
Desafio
Gil reforça sua tese de que o desenvolvimento do Brasil como provedor de offshore outsourcing esbarra nos altos custos dos serviços resultantes de encargos trabalhistas. E aguarda, para meados de março, as decisões do governo quanto a reformas tributárias e programa industrial, para as quais espera mudanças para o segmento de software e serviços correlatos. Em outubro passado, juntamente com Softex, Assespro e outras entidades da categoria, a Brasscom apresentou à presidência da República os argumentos e propostas para reformulação dos encargos trabalhistas.
Mão na massa
Flavio Grynzpan, chairman do Programa Brasil Outsourcing, que organiza o evento, aponta algumas iniciativas para impulsionar a participação do País no mercado global de terceirização. Entre suas apostas, está um conceito particular de “captives”, que apresenta a oportunidade para os provedores de serviços locais ganharem projeção internacional a partir das parcerias com subsidiárias de companhias globais.
O Programa Brasil Outsourcing também conduz projetos como a Rede Diáspora Brasil, que se apóia em brasileiros qualificados que atuam no exterior; oportunidades de atração de centros de desenvolvimento globais de grandes empresas de TI; e o aumento do valor agregado dos serviços brasileiros. “Uma forma de fazer isso é explorar parcerias com start-ups de TI”, comenta Grynzpan.
Compensação
O aumento do valor agregado dos serviços fornecidos pelos provedores brasileiros é uma estratégia indicada também por Peter Bendor-Samuel, CEO do Everest Group. O especialista, da consultoria especializada em serviços, analisa o mercado global de outsourcing e falou das oportunidades para o Brasil.
Segundo Bendor-Samuel, o foco em valor agregado é um caminho para compensar a dificuldade brasileira de competir por custo, relacionado a mão-de-obra. Além disso, sua análise prevê um aumento de demanda por melhor qualidade do serviço, acesso a profissionais qualificados e produtividade por parte dos contratantes dos serviços de terceirização.
A questão do valor agregado não é suficiente, entretanto, para mudar a participação do Brasil no mercado global. Bendor-Samuel aponta os exemplos da Índia e República Tcheca em implantação de políticas nacionais para fomentar o segmento de TI. Isso considerando as já bem conhecidas vantagens do Brasil, como economia robusta, experiência em TI e fuso horário, entre outras.
Ligia Sanchez
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